O esquema ‘de guerra’ para garantir a segurança de Obama no Brasil

Comboio de escolta a Obama: 4,5 mil homens estarão envolvidos na segurança do presidente
Comboio de escolta a Obama: 4,5 mil homens estarão envolvidos na segurança do presidente

São Paulo – Sigilo. Este é o item mais básico na extensa lista de procedimentos de segurança que vão garantir a tranqüilidade do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante sua visita ao Brasil neste fim de semana. Por trás de um verdadeiro esquema de guerra preparado para receber uma das figuras mais importantes do mundo estão envolvidos órgãos como o Ministério da Defesa, as polícias Federal e Militar e o Serviço Secreto dos Estados Unidos. E ninguém diz uma palavra sobre o assunto, como era de se esperar.

“Falta de informação é estratégia de segurança. Não vão passar nada, e se passarem, há grandes chances de estar incompleto, ou mesmo errado. Ninguém vai querer facilitar para o outro lado”, diz o especialista em segurança Hugo Tisaka. Ele sabe do que está falando. Pós-graduado em estratégia militar, Tisaka trabalhou à serviço da FIFA, coordenando a segurança de todas as equipes de futebol e delegações da Copa do Mundo sub-17, na Nigéria. E tem no currículo cursos com a Swat, força tática norte-americana, e com agentes do serviço secreto dos EUA e do FBI.

Todo este segredo tem razão de ser. Tisaka explica que o Brasil é o que os especialistas chamam de “forte target”, ou seja, um alvo fácil. Atacar Obama nos Estados Unidos é uma tarefa quase impossível, mas no Brasil, nem tanto. A entrada de estrangeiros no país não tem a mesma rigidez observada na terra de Obama. “A região da fronteira tríplice (entre Brasil, Argentina e Paraguai) é um reduto de grupos terroristas que poderiam chegar ao Brasil com tranquilidade e tentar alguma coisa”, afirma.

Por isso, desde que a vinda do presidente americano ao país foi cogitada, ainda em 2010, agentes do serviço secreto começaram a se revezar em visitas de reconhecimento pelos locais por onde Obama poderia passar. Cada milímetro do trajeto do presidente já é conhecido em detalhes pelo serviço secreto. E cada passo que ele der será acompanhado de perto por um grupo de agentes. “A segurança será feita em camadas. Quanto mais perto do núcleo, mais rígida”, diz Tisaka.

O especialista estima que, ao todo, 4,5 mil pessoas trabalharão no esquema de segurança de Obama em Brasília e no Rio de Janeiro. Este número inclui, além dos seguranças pessoais do presidente, policiais de rua, agentes de trânsito, oficiais envolvidos na escolta, paramédicos e atiradores de elite. Sim, eles estarão lá. Nos topos dos prédios próximos aos locais por onde Obama vai passar, pelo menos cinco atiradores de precisão estarão posicionados para agir em caso de movimentações suspeitas.

Nesta sexta-feira (18), veio a confirmação de que o presidente Obama cancelou o discurso que iria fazer na Cinelândia , região central do Rio. Caso mantivesse o compromisso, segundo Tisaka, enquanto o presidente estivesse discursando, os atiradores de precisão estariam posicionados em prédios escolhidos a dedo pelos agentes americanos.

“Eles estariam em locais que dessem visão tanto para o púlpito de onde Obama falaria, quanto para os locais que dariam acesso a ele. Durante o discurso, agentes verificariam todos os andares de cada prédio nas proximidades, para monitorar qualquer ação diferente do usual”, explica Hugo Tisaka.

Transporte

Tão importante quanto a segurança de Obama durante seus discursos é garantir que ele se locomova com tranqüilidade. A escolta ao presidente dos Estados Unidos vai começar antes mesmo dele chegar ao Brasil. “Ele virá à bordo do avião oficial da presidência, o Air Force One (Força Aérea Um). Quando entrarem no espaço aéreo brasileiro, a nossa força aérea vai mobilizar caças para acompanhar o avião de Obama até sua chegada no aeroporto de Brasília.” O mesmo vai acontecer quando ele for de Brasília para o Rio de Janeiro, e do Rio até deixar o Brasil.

O carro em que Obama vai transitar pelas ruas de Brasília e do Rio é uma atração à parte. Trata-se de um Cadillac fabricado com exclusividade para a presidência dos EUA pela General Motors. De acordo com Tisaka, o modelo está avaliado em 500 milhões de dólares. Praticamente invulnerável, o veículo é quase um tanque de guerra. Sua blindagem nível seis faz com que ele suporte ataques até de lança-granadas. Ele possui ainda um centro de comunicações instalado e conta com suprimento de oxigênio, caso Obama seja obrigado a permanecer dentro do carro por muito tempo em um eventual ataque químico.

Dois veículos idênticos serão trazidos ao Brasil em um avião da força aérea dos Estados Unidos. Questão de segurança: dois carros confundem a ação de bandidos, já que não será possível saber em qual deles Obama está. Junto com os carros presidenciais estarão os demais veículos da delegação americana. O comboio será seguido por batedores da Polícia Federal em motocicletas, além de ambulâncias e outros carros da equipe tática de segurança.

Completando o esquema cinematográfico de proteção, estão os responsáveis por garantir a segurança de Obama enquanto ele estiver comendo. “Agentes do serviço secreto dos Estados Unidos avaliam tudo. Os insumos usados para preparar os pratos, o que está no cardápio. Não pode ter nada que provoque qualquer tipo de desconforto, desde intolerâncias alimentares a problemas com o gosto, ou alergias. Também não pode haver nenhum tipo de constrangimento. Ou seja, ninguém vai deixar, por exemplo, servirem um prato de buchada para o presidente.”

Fonte: Jornal Floripa

http://www.jornalfloripa.com.br/noticia.php?id=2399526

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